Finalmente o COPOM – Comitê de Política Monetária do Banco Central, sinalizou que reduzirá a taxa básica de juros atualmente em 15% ao ano.
O aperto monetário se fez necessário até agora em função de duas variáveis importantes: a inflação não estava e ainda não está no centro da meta de 3% ao ano, contudo tem ficado dentro do limite máximo de 4,5% ao ano, e a outra variável é a política fiscal frouxa do governo Federal.
Por sinal, a política fiscal frouxa certamente foi o que mais pesou até agora na decisão do Banco Central. O crescente endividamento público em função do excesso de gastos públicos gera incertezas no mercado, e na relação risco-retorno os juros têm que oferecer a “ração” que o mercado deseja, ou seja, ficarem elevados.
Na ata do COPOM, que trouxe detalhes da decisão recente em manter a taxa em 15% ao ano, ficou claro que na próxima reunião do Comitê, em março, os juros cairão.
Afinal, a taxa cairá quanto? Não é plausível imaginar que de uma hora para outra o Banco Central abrirá mão da política monetária restritiva, adotando uma política expansionista, por isso, a discussão se limitará a dois cenários: queda de 0,25 ou 0,5 ponto percentual.
Considerando que o mercado, através do Boletim Focus, projeta que a taxa básica de juros virará este ano em 12,25% (mediana) parece plausível apostar que o Banco Central teste reduções de 0,25 ponto percentual nas próximas reuniões, para, no segundo semestre, caso a inflação esteja sob controle e os gastos públicos dentro da normalidade, acelere a queda. A se confirmar a previsão do mercado seria uma queda total de 2,25 pontos percentuais.
Quedas gradativas não serão capazes de mudar significativamente a taxa de juros na ponta, contudo, poderá mudar o comportamento dos investidores, que estarão mais confiantes quanto ao nível de atividade de econômica.
É evidente que, em ano de eleições, ainda polarizadas, com defesa de modelos econômicos distintos entre situação e oposição, haja um ambiente de incertezas, o que leva ao adiamento de investimentos produtivos, contudo, sinalizar com juros menores, traz ao menos alívio quanto ao pessimismo, abrindo espaço para decisões mais realistas, fugindo do pessimismo. O tempo dirá.