A inflação, em especial a inflação do grupo alimentação e bebidas, tem sido debatida pelos agentes econômicos, e agora chegou no seio do governo Lula.
Em 2024 o Brasil ficou na quarta posição entre os países como uma das maiores altas nos preços dos alimentos, com 7,69%, perdendo somente para Argentina, Venezuela, que passam por crise interna, e para a Bolívia.
O patamar de 7,69% é médio, mas quando são analisados os preços individualmente há altas expressivas, como o caso do abacate que teve alta de 174,1% no período, a laranja subiu 91,0%, a tangerina 74,2% e a carne 20,8%. Isso só para citar alguns itens. Vale lembrar que a inflação oficial fechou o ano em 4,83%.
Em recente vídeo divulgado em redes sociais, o presidente Lula, que estava na horta da Granja do Torno, afirmou que o dólar alto, que eleva os custos produtivos, a questão climática, que reduz a oferta de produtos e a melhora da renda da população, que eleva a consumo dos alimentos, pressionaram os preços e que irá ter reuniões com setor supermercadista para debater o tema. Em outro momento, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, falou em reduzir alíquota de importação de alguns produtos cujos preços internos estão elevados.
Sim, a leitura de que os preços estão contaminados pela alta do dólar, que passa um ajuste para baixo nestes últimos dias, é um dos fatores. Também é verdade que há insuficiência de oferta em outros setores. Também é possível atribuir parte da alta dos preços ao aumento da demanda, contudo, o governo não admite o óbvio: ele é o causador do desequilíbrio no mercado.
Vamos ao básico dos conceitos econômicos. A causa raiz está no fato de atual governo ser incapaz de gastar dentro do limite do que arrecada. Os déficits primários (resultado entre receita e despesas sem computar os juros da dívida pública) são frequentes e, ao não cobrir parte dos juros da dívida pública, o total do endividamento do setor público sobe. Isso gera incertezas, e os agentes econômicos buscam proteção em moeda estrangeira. A cotação do dólar sobe, a inflação se retroalimenta e a taxa básica de juros tem que subir para garantir o financiamento do setor público. A dívida total novamente sobe.
Sempre é bom lembrar que os gastos públicos elevados podem causar inflação por várias razões, especialmente em grandes projetos ou programas sociais, isso pode aumentar a demanda por bens e serviços. Se a oferta não acompanhar esse aumento na demanda, os preços tendem a subir. Gastos públicos elevados podem levar as pessoas a acreditarem que a inflação aumentará no futuro. Isso pode fazer com que empresas aumentem os preços antecipadamente e trabalhadores peçam salários mais altos, criando um ciclo inflacionário. Grandes gastos públicos podem pressionar os recursos disponíveis na economia, como mão de obra e matérias-primas, levando a aumentos de preços.
Conclusão: mais uma vez, como tem sido corriqueiro no atual governo, não admite que a causa raiz do desequilíbrio no mercado se dá pelo fato de o governo não fazer o básico, desta forma, todas as ações pensadas até agora, atacam somente as consequências, o que nos leva a entender que dificilmente o problema será equacionado.
Pode até ter um alívio no curto prazo devido à queda na cotação do dólar e até mesmo pela alta da taxa de juros, mas o problema central continuará lá, e em algum momento nova onda de desconfiança se instalará na economia e a equipe econômica do atual governo irá enxugar gelo, e naturalmente sem sucesso.
Está na hora de o governo assumir sua dose de responsabilidade e fazer sua parte. Aí a causa raiz da inflação será equacionada.