Classe política critica juros altos: puro populismo

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante evento em comemoração aos 60 anos do Banco Central em 2 de abril de 2025. Foto: Jose Cruz/Agência Brasil

A recente ida de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, ao Congresso Nacional no evento em comemoração aos 60 anos da Instituição não teve somente festa.

Galípolo ouviu de inúmeros parlamentares críticas à atual política monetária do Banco Central e em especial o nível da taxa básica de juros, atualmente em 14,25% ao ano.

Houve parlamentar que propôs reduzir na “canetada” a taxa pela metade. Só pode ser populismo.

Vamos a análise técnica. A política fiscal do governo Federal é frouxa do lado dos gastos. Mesmo tendo introduzido inúmeros mecanismos para arrecadar mais, tem gerado déficits primários (receita menos despesas sem computar o serviço da dívida pública), apesar da meta fiscal ser de zerar esse déficit.

Isso significa injeção de liquidez no mercado, sem que necessariamente haja geração de riqueza. As transferências de renda confirmam isso. A expansão monetária gera desequilíbrio entre oferta e procura, cuja resposta do consumidor é mais rápida do que a capacidade em gerar oferta. A inflação se instala.

Além disso, o governo Federal também interfere no equilíbrio do mercado quando amplia o crédito. A recente decisão em ofertar mais empréstimos, via consignado, vai nesta direção.

Um governo “gastador” gera incerteza no mercado. Os investidores que financiam o Estado, ao constarem o risco que se instala com essa prática, exigem taxa de juros mais alta para continuarem investindo em títulos públicos. Como a expansão monetária também gera inflação, a taxa de juros tem que ser mais elevada ainda, visando inibir o consumo imediato. Controlando a inflação.

Esse movimento afeta diretamente o capital de giro das empresas, torna o crédito para financiamento de suas atividades mais caras (em todos os setores da economia), reduzindo o nível de atividade econômica. Também afeta a vida das famílias, com a elevação do endividamento e aumento da inadimplência.

Em resumo: o país não prospera na magnitude que poderia, e o que é pior, não sustenta o crescimento econômico.

Considerando a visão técnica, seria plausível que o Banco Central atendesse a classe política e derrubasse a taxa de juros na canetada? A resposta de quem entende um mínimo de economia sabe que é: não!

Caso os políticos desejassem mesmo que a taxa básica de juros no Brasil fosse menor, eles poderiam interferir no Orçamento da União. Recentemente aprovaram o orçamento deste ano, mantendo emendas parlamentares bilionárias, também mantiveram o fundo partidário e o fundo eleitoral, não questionaram as novas formas de transferência de renda, não abordaram os subsídios, e tantas outras formas de economizarem.

Se fizessem isso, incluindo pautar a reforma administrativa do Estado, os fins dos privilégios financeiros da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e do Judiciário, a causa primária da geração da inflação e das incertezas do mercado, seria eliminada, a confiança se instalaria, o dólar não seria pressionado, seria gerado um ambiente de negócios previsível, a inflação cederia, e a taxa de juros cairia.

Conclusão: as falas da classe política são retóricas populistas, para jogar para torcida, pois quando as mudanças estruturais do país precisam ser debatidas, fogem e priorizam outras pautas, menos relevantes.

Como pensam somente na próxima eleição, querem ficar bem na “fita”, utilizando-se deste populismo inaceitável.

Em economia ou é avaliada a relação de causa e efeito ou então o caos se instala.

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