A ata da reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM), trouxe detalhes dos motivos que levaram o colegiado a elevar em 1,0 ponto percentual a taxa básica de juros, na primeira reunião comandada pelo Gabriel Galípolo, indicado pelo governo Lula a presidir o Banco Central (BC).
Antes de detalhar o que esperar do futuro da taxa de juros, vale destacar que o aperto monetário visa trazer a inflação para o centro da meta, que é de 3% ao ano (com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos), sendo que, a partir deste ano, a meta é contínua e não mais para 12 meses. Com a alteração, o BC só descumprirá a meta se o acumulado de 12 meses ficar fora do intervalo proposto ao longo de seis meses consecutivos.
O IPCA, inflação oficial do Brasil fechou 2024 com acumulado de 4,83%, ficando, portanto, acima da meta fixada.
A alta de 12,25% ao ano para 13,25% já tinha sido “contratada” na última reunião do ano do Comitê, posto que as projeções eram negativas para o controle inflacionário.
A ata do COPOM trouxe que a inflação deve ficar acima da meta pelos próximos 6 meses, posto que o mercado de trabalho está aquecido, o que pode aumentar o consumo das famílias, pressionando os preços, e diante deste cenário, apontou que na próxima reunião, em março deste ano, pode ocorrer nova alta de 1,0 ponto percentual.
Na prática, mesmo com uma certa trégua no câmbio (queda na cotação em função da menor pressão vinda das recentes decisões de Donald Trump), os vários setores da economia já promovem elevação nos preços. De um lado, insumos básicos, como os grãos, estão com os preços elevados, passando pela carne, chegando nos produtos industrializados. E há ainda outro componente que pressiona os preços: a alta no preço dos serviços, que por sinal, não tem como ampliar a oferta no curto prazo.
É importante destacar que um dos componentes que pressionam os custos de produção, a cotação do dólar, apresentará volatilidade, posto que é imprevisível, por exemplo, o quanto as futuras decisões do presidente norte-americano, impactarão o ânimo dos agentes econômicos.
Diante deste quadro, a tendência da taxa de juros no Brasil é de alta, sendo que o mercado, através do Boletim Focus, projeta taxa de 15% ao ano na virada do ano. Este patamar representa a mediana de cerca de 200 projeções, mas retrata bem o “ânimo” dos operadores do mercado.
Sempre é importante destacar que, se de um lado o aperto monetário poderá controlar a inflação, de outro lado engessa a economia, reduzindo, como já vem ocorrendo, o ritmo da atividade econômica, com menor geração de emprego e renda.
Com se diz no popular “não se faz omelete sem quebrar os ovos”. Em resumo: a taxa básica de juros mantém tendência de alta.