À medida que se aproxima mais uma reunião do Comitê de Política Monetária, que será nos dias 17 e 18 de março, cresce a expectativa do mercado em torno da decisão sobre a taxa básica de juros.
O pano de fundo, à primeira vista, parece favorável a um movimento mais ousado: a inflação segue comportada, os núcleos continuam dando sinais de alívio e a própria ata da última reunião deixou aberta a possibilidade de continuidade no processo de flexibilização monetária, alimentando a leitura de que cortes mais consistentes poderiam estar no horizonte. Esse conjunto de fatores levou parte dos agentes a reforçar apostas em uma redução mais expressiva da Selic já neste encontro.
No entanto, o intervalo entre a reunião anterior e a que ocorre na próxima semana trouxe novos elementos ao cenário, especialmente no ambiente externo. A escalada das tensões envolvendo o Irã reacendeu a aversão ao risco nos mercados internacionais, pressionou o preço do petróleo e reacendeu um velho problema doméstico: a defasagem relevante entre os preços internacionais dos combustíveis e aqueles praticados no mercado interno. A alta do barril escancarou que diesel e gasolina acumulam diferenças significativas em relação às cotações externas, o que aumenta a incerteza sobre reajustes futuros e seus impactos inflacionários, ainda que pontuais.
Esse novo quadro tende a pesar na avaliação do Banco Central. Mesmo com a inflação corrente sob controle, choques de oferta associados ao petróleo sempre exigem atenção redobrada, sobretudo em um país no qual combustíveis exercem papel relevante na dinâmica dos preços e das expectativas.
É razoável supor que os membros do Copom levem em conta esse ambiente mais instável, avaliando não apenas o cenário-base, mas também os riscos assimétricos que passaram a rondar o horizonte de curto prazo.
Diante disso, embora o mercado siga alimentando expectativas de um corte mais agressivo, cresce a probabilidade de uma postura mais conservadora por parte da autoridade monetária. O Banco Central pode optar por reduzir os juros em magnitude menor do que parte dos investidores espera, preservando graus de liberdade para as próximas reuniões e reforçando seu compromisso com a estabilidade e a previsibilidade.
Em um cenário global mais turbulento, a prudência tende a falar mais alto do que a pressa — mesmo quando os indicadores domésticos parecem autorizar passos mais largos.
Respondendo a pergunta título deste artigo – os juros cairão? Sim, mas menos do que foi projetado antes do conflito com o Irã.